
Como classificarias o movimento Belga neste momento?
Em crescente, devagar, mas vai crescendo ano após ano. O campeonato é pouco conhecido, e a maioria dos clubes não puxam muita gente aos estádios, mesmo que os estádios estejam sempre cheios, estou a falar de estádios com lotações de de 6.000 e 7.000 pessoas.
Como estão organizados?
Aqui falamos de dois grupos totalmente distintos. Temos os grupos ultras, que estão organizados como em todo lado. Temos também os grupos antigos, neste caso conhecidos por os grupos SIDES, hooligans casuais (como quiseres chamares). No meu grupo, faço parte da direcção, somos 10. Cada qual tem a sua função. Sou também responsável pela loja.
Quais são as vossas amizades e inimizades?
Amizades temos com o st pauli, é a nossa grande amizade. Depois temos varias amizades com vários grupos antifascistas. As nossas inimizades na Bélgica como ultras são, os Storm ultras do Chareloi, e também os grandes rivais, Brugge e Anderlecht.
Qual é a vossa relação com o clube?
Podemos dizer que neste momento estará estável. Durante a época temos alguns desacordos, muito por causa de algumas leis que nos não respeitamos, e levam o clube a pagar multas , estou a falar de tochas em jogos grandes.
Quais são os vossos pontos fortes e as vossas fraquezas?
Pontos fortes, são sem dúvida as coreografias, e o ambiente que conseguimos criar no estádio. Somos considerados os melhores ultras belgas, mesmo por outros grupos do mesmo país. Pontos fortes, acho que e a juventude do grupo. Sei que a juventude trás pontos positivos ao grupo, mas quando as coisas apertão na rua, ou mesmo contra os a.c.a.b, são poucos, aqueles que os enfrentam.
De que forma tem sentido a repressão no vosso país?
A repressão posso dizer que é pouca, mas é muito forte. Dou-te um pequeno exemplo: tive uma vez a repressão sobre mim, por causa de uma tocha, e fui interdito de entrar no estádio, durante 6 meses, e paguei 600 euros de multa. A repressão e mesmo só pelas leis, como tochas, evasões de recinto, violência… Nesses aspectos, são muito fortes, e podem custar caro a qualquer pessoa, por isso que vejo muito receio em certas pessoas no grupo.
Como tem sido a vossa luta contra o futebol moderno?
Jogo a jogo, tentamos dialogar com as pessoas, e alertar sempre e sobretudo na nossa bancada. Ainda temos muitas queixas de vários clubes, os clubes aqui, poucas vezes pensam nos seus adeptos. Frequento os estádios belgas a mais de 12 anos, e 80% dos jogos que vi foram sempre ao sábado a noite, as 20h00, tirando algumas vezes ao domingo por causa dos jogos na uefa. A nossa luta tem sido essencialmente contra o preço dos bilhetes.
Do movimento Português, o que te salta mais a vista?
De uns anos para cá, é com tristeza que vejo o movimento a cair, e com a história da legalização, muitos grupos venderam-se. A questão da legalização era uma luta de todos para lutar juntos, mas isso é tudo uma falta de mentalidade e de vontade, porque todos juntos podíamos talvez feito melhor. Aos poucos, vejo muitos grupos arrependidos, porque legalizados ou não, o tratamento e igual para todos. Para mim foi uma armadilha
Deixa-nos um comentário final, se possível.
Podia deixar muitos, mas vou deixar um simples, lutem por aquilo que vos pertence, seja no trabalho, nas vossas vidas, ou o vosso cantinho dos 90 minutos por semana lá na curva. um abraço a todos. Nuno, ultras inferno. Qualquer duvida, contactem-me curvaultra@hotmail.com.


































