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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Entrevista ao Ultras Life, por parte dos Blue Brothers.



Projectos para o futuro, existem alguns?
Sim claro, a vida é composta por constantes novidades, e a ideia é de estar sempre a inovar. Um grande projecto que gostava de ver concretizado, era o lançamento de um fanzine com o próprio título: Ultras Life, na qual referia um pouco mais acentuado os grupos dos escalões inferiores, algumas entrevistas, e o movimento lá por fora, com claro destaque para os países de Leste. Mas penso que isso não será para já. Penso que é importante referir que este blog é pessoal, e conta apenas com post's de temas que eu acho que são realmente relevantes. Normalmente não trabalho com a actualidade ultra, prefiro abordar temas menos referidos no nosso país. Neste momento existem muitos blogs sobre a actualidade ultra, mas se formos dar uma "olhadela" rápida por todos eles, verificamos que falam do mesmo, mas por outras palavras. Muda o nome, fica o mesmo conteúdo. A minha "missão" foi mais de trazer algo de novo, tratando assuntos de que realmente me interessam devido ao seu grau de importância. O blog não é generalista, por isso talvez encontrarão muitas opiniões divergentes. Os temas abordados são imensos, num dia poderei esta a falar sobre as "firms" Britânicas, como noutro dia estarei a referir algum grupo Ultra menos conhecido.

Que opinião tens da lei 16/2004?
Numa conclusão rápida, penso que é o retorno aos tempos da ditadura e da censura. Os problemas com as claques sempre existiram, e não vai ser agora com uma lei tremendamente injusta e absurda, que os problemas vão acabar, é apenas uma estratégia para encontrar os culpados de forma mais rápida. No meu ponto de vista, esta lei apenas beneficia os líderes dos grupos, que lucram em larga escala com os fiéis adeptos que vão a bola. Hoje em dia o futebol é negócio de poucos, á custa de muitos. Isto não passa de uma mera táctica para tapar os olhos aos mais distraídos, polícias que antigamente patrulhavam os bairros, vêem esta lei como forma de escapar a problemas mais sonantes. Blogs como o Ultras Life, são diariamente inspeccionados a pente fino pela polícia, para retirar nomes, moradas, localidades etc., de possíveis ameaças ao futebol (como eles nos apelidam). A verdade é que há certas pessoas que lhes facilitam e muito o seu trabalho. Penso que têm que se mentalizar que cada vez mais há uma perseguição enorme aos ditos grupos "ilegais", há que combater essa repressão… A lei 16/2004, esta totalmente em desacordo com os ideais ultras e da mesma forma, esta totalmente em desacordo com o que acredito e prático. E o que esta lei trouxe de bom? Nada. Aumentaram os casos de excesso de zelo, o abuso a autoridade, a má formação, patente em alguns dos agentes que Domingo após Domingo se cruzam connosco no Estádio. Somos Ultras, cometemos excessos? Claro que sim, é normal quando se dá uma junção de massas, e somos responsabilizados por isso pelos amigos, pela família, pelos média, pela polícia, nos empregos, nos tribunais! É justo? A resposta não é assim tão linear quanto a partida parece. Quando cometemos erros pagamos por eles, criam-se leis, detêm-se pessoas, e é a justiça a funcionar! Mas, e quando o erro não é nosso? Bom, quando é a polícia a proceder mal, não há testemunhas, as provas desaparecem, arquivam-se processos, e esta feita a justiça.

Como vês o movimento ultra na actualidade?
Como a palavra estagnação está tão em voga, penso que é o nome certo para qualificar o panorama ultra nacional neste momento. Pouco, ou quase nada se passa. Penso que as novidades apenas existem nos escalões secundários, onde realmente podemos ver a verdadeira essência do futebol. Houve um grande abandono por parte da velha guarda de certos grupos, e não houve uma passagem de testemunho. Vário valores fundamentais tem-se perdido até então. Perdeu-se o real valor das amizades na curva, das transfertas, das concentrações etc. Hoje em dia vejo-me rodeado de pessoas que não sabem receber os mais novos, e fecham-se no seu mundo, deixando de comunicar com os outros. Penso que na verdade acabou grande parte da alegria que havia nas curvas. Hoje em dia é raro veres um grupo todo abraçado a saltar de entusiasmo, já pouco vês os frequentes "morches" que acordavam os mais distraídos, já não há aqueles cânticos de por o estádio todo a cantar…

Que achas que ainda se poderá fazer para melhorar o movimento?
Basicamente tudo… Há certas coisas que deixam marcas, e a questão da legalização será uma que nos marcara para sempre. Como queremos credibilidade e respeito lá fora, com estas atitudes? Há grupos lá fora a rirem-se de nós, tens o caso do jogo Basileia vs Sporting. Penso que o retorno da velha guarda dos vários grupos ia fazer uma grande diferença.

Nos últimos tempos tem se notado um grande crescimento da cena casual, pensas que será de futuro o rumo a seguir devido a repressão?
Na maioria das vezes, o que fazemos é apenas dizer que pertencemos a claque x, ou usar material alusivo a dita claque, e somos automaticamente rotulados como arruaceiros e marginais. Por este motivo e outros mais, penso que o "casualismo" terá cada vez mais um peso no nosso movimento. Dentro de grupos "legais", por vezes aparecem pessoas que não se identificam com isso, e acompanham a equipa a parte. Essas pessoas, na minha opinião, merecem muitos créditos, pois não se vendem, e tem uma despesa ainda maior ao acompanhar a sua equipa. Por vezes ser casual, é tirar vantagem sobre o adversário, e forma de dar a volta a policia, que hoje em dia tem apertado imenso. Mas em contrapartida temos pessoas que não sabem a real identidade de ser casual, pensam que é tudo uma questão de moda, ao vestirem um casaco da Fred Perry, umas calças levi's, um chapéu da Burberry, umas sapatilhas das Adidas… Pensam que já são casuais. Antes de se ser casual, tem que se sentir, e saber o verdadeiro significado da palavra.

Qual é na tua opinião o melhor grupo nacional no momento?
Sem duvida nenhuma que serão os No Name Boys. Penso que a opinião é unânime. Foi um grupo que sempre se manteve fiel as suas origens, nunca se vendeu, nunca se meteram em esquemas… É um grupo totalmente a parte dos restantes em Portugal. A sua maneira de ser e de estar é única. Bom exemplo disso foi este aparato todo que os envolveu, e contra todas as expectativas, surgiram ainda mais fortes, fazendo valer o "pluribus unum".

Quais foram na tua opinião, os grupos que mais se destacaram neste ultimo ano?
Já no meu blog tinha feito o género de um pódio para os diferentes escalões. Na primeira Liga premiei os No Name em 1º, a Fúria Azul em 2º, e os Ultras Insine em 3º. No escalão da segunda divisão pus como melhor grupo os Panteras Negras, em 2º a Brigata Azzuri, em 3º a Força Avense. Nos escalões secundários coloquei os South Side em primeiro, em 2º os Ultras Ermesinde, e em 3º os Ultras Arouca. Para mim, estes foram os grupos que realmente estiveram em destaque no ano de 2008. É lógico que nesta minha selecção não escolhi nenhum grupo legalizado. Para mim quantidade, não é sinónimo de qualidade, e estes grupos fizeram muito pela vida, e merecem o respeito de todos, independentemente das nossas cores.


Que opinião tens da Fúria Azul?
Para mim a Fúria Azul foi dos grupos que mais sofreu com a lei16/2004, a par com os Diabos Vermelhos e os No Name. Foi dos grupos que mais lutou, e mais resistiu. Sempre tive em conta todas as batalhas que travaram, e as formas que usaram para se manter unidos. Todos juntos saíram por cima, dando uma grande lição de mentalidade a grupos ditos "maiores", que de grandes apenas tem o número de sócios. Em termos de apoio são bons, realizando muitas vezes boas deslocações. Tem sido incasáveis no apoio as modalidades. Já desde de novo que observo as excelentes tiffos, Hoje em dia mais difíceis de concretizar, mas a piada esta em encontrar formas de contornar os actuais problemas. Fizeram valer a velha máxima da mentalidade não apregoada, mas sim praticada. A velha guarda da FA teve uma atitude muito decisiva na tomada de decisões deste grupo, que fizeram com que se mantivessem na mesma linha de pensamentos e atitudes.

Como vês a forma injusta como a comunicação social trata a malta das claques?
A comunicação social sempre teve um papel de descriminação pelos Ultras, seja cá em Portugal ou em qualquer país do mundo. Os média nunca souberam "separar a semente boa, do joio", sempre colocaram todos no mesmo saco. Nunca deram o real valor aos ultras, sempre que havia notícias eram pelos piores motivos, mas como o que não nos mata, torna-nos mais fortes, das críticas fomos criando forças para superar tudo isso. Se um médico não exercer da melhor forma a sua tarefa, não podemos englobar todos os médicos como ignorantes. A que saber fazer esta clara distinção, e a comunicação social nunca a soube fazer. É claro que lá pelo meio há situações que vão para além de meros fundamentos, depois entra o clubismo, como forma de tapar os olhos a determinados assuntos mais relevantes.

E lá por fora, que grupos admiras? Qual é o estilo que mais te agrada e com que te identificas?
Para não descriminar nenhum país, escolherei alguns de cada: em Espanha aprecio muito os Bukaneros e a Biris Norte. Em França os Magic Fans e o Comando do Marselha. Em Itália o Ultras Roma, e a Curva Nord da Atalanta, na Polonia o wisla e o Cracóvia, da Áustria os Ultras rapid de Viena, dos Balcãs, os BBB, a Torcida Split, os Red Army do Mostar, os Grobari do PAOK, os Ultras Red Star de Belgrado, etc… Em termos de "firm's", gosto muito do Cardif souls crew, Zulu Warriors do Birmingham, ICF West Ham, Millwall Foreign Crew, Villa Hardcore, The Urchins do Liverpool… Como podes ver os meus gostos são muito amplos.

Muito obrigado pela entrevista, peço-te só que deixes uma mensagem final.
Tenham sempre uma atitude interventiva no seio do grupo, e evoluam sem nunca por de parte os velhos costumes e as velhas maneiras, faz porque gostas. Concentrem-se essencialmente no apoio a equipa, e digam sempre não ao futebol moderno. Uma saudação especial ao pessoal da Fúria, nunca abandonem esse vosso estilo inconfundível, lutem pelo que acreditam, futuramente terão frutos daquilo que semearam.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Entrevista aos South Side Boys














Dado a neste momento o presidente rui Roque ser demissionário, a resposta as perguntas ficam a cargo de João Galrito e João André, vice-presidente dos South Side Boys.

1- Como estão organizados?
Os South Side Boys estão constituídos como associação desde o ano de 2002.
A nível estrutural estão organizados em vários departamentos que em diferentes áreas mantêm o recrutamento, organização de jogos e eventos com a dinâmica necessária para o bom funcionamento e evolução do grupo.
Neste momento temos 150 elementos, fanaticamente Farenses e uma sede.

2- Quais são as vossas amizades e inimizades?
Os South Side Boys não teem quaisquer amizades ou inimizades, apenas relações de respeito com alguns grupos.
Respeitamos quem nos respeita.

3- Como foi para vocês, “sobreviver” estes anos todos nos escalões inferiores?
Penso que o termo “sobreviver” não se adequa ao nosso passado recente. Desde o momento em que o Farense iniciou a sua fase descendente, que só teve fim na 2ªdistrital, que os South Side assolados com a possibilidade de o nosso clube ter um fim a beira dos 100 anos, iniciaram uma verdadeira cruzada que se julgava como impossível a partida. Aqui começou-se a traçar a verdadeira identidade do grupo, que incutido pelo espírito de missão levou a cabo, manifestações, invasões pacíficas de campo interrompendo jogos em protesto, intervenção constante em assembleias, candidatura a direcção do S.C.Farense, tudo de maneira a que soluções aparecessem. Contrariando o termo “sobreviver “ utilizado na pergunta, os South Side aprenderam a viver os 90 minutos de jogo, o mais intensamente possível, seja na I Liga, distrital ou amigável. Esta nossa postura tornou-se atractiva aos olhos de muitos Farenses servindo como principal cartaz na recruta de novos elementos e na propaganda da nossa máxima “ Se és de Faro…és Farense!” Os South Side tiveram 2 anos intensos de vivências bastante enriquecedoras aquando da sua passagem no distrital que deixaram bastantes saudades, sentindo um cheirinho do verdadeiro futebol tradicional…tornando-nos naquilo que somos hoje, orgulhosos Farenses! Existe uma frase do livro “ Viagem ao Mundo Ultra” que em tudo exprime as emoções vividas nos escalões secundários, “sexo, dinheiro, sucesso…tudo se reduz a pó perante a emoção, a partilha das bancadas!”

4- Qual é a vossa relação com o clube?
Os South Side não teem quailquer relações com a direcção do S.C.Farense, pois esta não tem quaisquer legitimidade visto o seu mandato ter terminado a 3 épocas.

5- Como vês a futura venda do São Luís?
Como um mal necessário para a sobrevivência do nosso Clube, para pagar pela gestão danosa das pessoas que são do conhecimento de todos os Farenses. É com grande tristeza que vemos a nossa cidade perder uma referência como é o mítico estádio de S.luis, que tantas alegrias proporcionou aos Farenses e com grande preocupação visto nos últimos anos Faro, assim como o nosso clube passa por uma grande falta de identidade com a perda de muitas das suas referências.

6- Para ti, o que significa ser um verdadeiro Ultra?
Ser Ultra é um estilo de vida… é um resultado de anos de vivência, de modas que passam, de alegrias vividas, de tristezas ultrapassadas, de amizades reforçadas, de devoção ilimitada. Apercebemo-nos que o somos, no momento em que deixamos de dizer que o somos, no momento em que os sacrifico passam a prazer, no momento em que nos falta a alma por não poder estar presente…

7- Com que estilo se identificam?
Não nos identificamos com estilo nenhum, temos a nossa própria identidade.
Somos um grupo bastante tradicionalista e bairrista.

8- Quais são os vossos pontos fortes e as vossas fraquezas?
Limitamo-nos a ser nós próprios, sejamos 10 ou 100. A apreciação dos pontos fortes e fracos fica para a critica…

9- Como vês a legalização das claques em Portugal? Já sofreram na pele algumas consequências?
É um tema sensível e que ainda não teve consequências no nosso grupo, visto o nosso Farense ainda se encontrar na 3ª divisão. A luta contra a “ilegal “ legalização perdeu imensa força com a legalização de alguns grupos mais históricos e numerosos de Portugal, cujas opções não crítico pois cada qual sabe de si, mas que podem ter sido nocivas para o movimento ultra Português. Em Países estrangeiros com índices de violência bem maiores que no nosso, tal não aconteceu…são unidos, são fortes! Aprendi na vida a nunca dizer nunca… qualquer decisão será tomada em grupo pelo grupo.

10- Como tem sido a vossa luta contra o futebol moderno?
Não temos nenhuma guerra contra o futebol moderno, mas temos imensa pena ao ver para o que caminha, daremos a vida para ver o nosso Farense… já por diversas situações nas ultimas temporadas em que nos eram cobrados preços exorbitantes para o escalão onde nos encontrávamos e resolvemos apoiar o grande Farense do exterior do estádio “escusado será dizer que se não desse para ver o jogo pagaríamos o bilhete!”. Lutamos contra as injustiças, mas temos um ponto fraco…submetemo-nos a quase tudo para conseguir saciar o nosso vício, ver o nosso Farense.

11- Podes-me falar de projectos futuros?
Os projectos futuros para curto, médio e longo prazo… continuar a apoiar o Grande Farense, dar condições para que outros o façam também, e continuar a dura tarefa de combater a clubite na nossa cidade capital do Algarve, Faro!

12- O vosso grupo foi considerado o melhor dos escalões inferiores, para o nosso blog, deixa-nos um comentário final sobre algo que achas que ainda não foi dito, mas que é importante referir.
Sem dúvida que é uma honra receber tal nomeação e dá força para quem tantas horas dispende para levar a fim os nossos projectos. Olhando ao panorama ultra nacional qualidade e número não falta, mas a mentalidade está um pouco distorcida, se calhar por se preocuparem demais com pormenores fúteis paralelos à nossa existência, em vez do apoio ao clube de cada um. A nova guarda que agora nos chega absorve esta falsa ideologia, e cabe-nos a nós, velha guarda, saber transmitir a verdadeira mentalidade ultra, olhando para a realidade nacional só me resta concluir que estamos a falhar… De momento na 3ªdivisão, mas brevemente no I Ligal, envergando a bandeira do sul, sem que durante este período tenha deixado de ser o verdadeiro orgulho do Algarve.

Apoiem o clube da vossa terra!
Dos Fracos não reza a História!
Desde sempre…FARENSE…para sempre!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Entrevista a Emanuel Lameiras, ex líder dos Diabos Vermelhos











Emanuel, como é estar tanto tempo longe da curva Benfiquista?
não tenho estado propriamente longe, tenho estado é fora da Curva. Continuo a ir ao futebol sempre que posso, vou á bola com pessoal amigo, apoio o clube como posso. Continuo a tentar perceber e a tentar acompanhar o que se passa nas curvas em geral.


O que te levou a abandonar os Diabos?
A forma como estavam a ser geridos e a falta de identificação que eu sentia com essa gestão. Sendo eu o chamado "Presidente" ou "Líder" tinha que dar muitas vezes a cara por decisões com as quais eu não concordava, como tal e visto que não consegui mudar o rumo da situação, achei que sair era o melhor que podia fazer.

Quando saíste, formas-te de certa forma um novo grupo, como correu esse projecto?
Isso é uma historia mal contada. Quando sai da direcção dos DV, mantive-me no sector dos Diabos, acompanhava tudo o que se fazia e passava no Grupo. Numa ida a alvalade uma pessoa do meu grupo de amigos ligou para o numero dos DV para marcar bilhetes. Foi informado que só havia bilhetes para núcleos organizados oficiais dos DV e que só depois disso é que teriamos direito a bilhetes caso não tivessem já esgotado. Como queríamos garantir bilhetes para ir a alvalade e éramos todos Diabos, essa pessoa disse para reservar bilhetes para os Warriors. Foi assim que surgiu esse grupo. Basicamente podemos dizer que os Warriors nasceram porque a direcção dos DV na altura nos obrigou a criar um núcleo para poder garantir bilhetes para ir a bola.

Se pudesses, que soluções encontrarias para mudar o rumo dos acontecimentos?
Na altura em que sai havia 2 ou 3 hipóteses. Uma das hipóteses foi a que escolhi, sair. Quando sai da Direcção dos Dv nao tinha como objectivo sair dos DV, afastar-me do Grupo. Eu não preciso de estar na direcção dos DV para me sentir lá bem. Poderia estar fora da direcção e ajudar e colaborar no que pudesse e no que me pedissem. A partir dai uma serie de coisas aconteceram que me obrigaram a afastar das pessoas e consequentemente dos Diabos. Não são os Diabos que fazem as pessoas, mas sim o contrario. São as pessoas que fazem os Diabos. Soluções para o estado actual? Não me compete a mim arranjar soluções para isso. Posso sempre sugerir respeito pelo passado e pelas pessoas. Humildade em reconhecer os erros.

Neste momento o que fazes para ocupar o tempo?
Actualmente, mantenho a minha vida trabalhando na minha loja, como sempre. Comecei a fazer com alguma frequência organização de eventos, nomeadamene concertos. Quando estava na direcção dos DV organizava 1 concerto por ano, de vez em quando. Quando sai da direcção e visto que a minha disponibilidade aumentou comecei a fazer concertos quase todos os meses. Organizei também as 2 primeiras convenções de Tatuagem feitas em Portugal no ano de 2005 e 2006.

O que achas que mudou no movimento desde que o conheces, até aos dias de hoje?
Eu continuo "agarrado" ao estilo Ultra e todas estas "modernices" dos Casuals me faz uma certa confusão. Sempre valorizei as coreografias, os cânticos, as concentrações e as deslocaçãoes em grupo e numerosas e hoje em dia pouco disso se passa em Portugal. Ha novas ideias novas tendencias nas quais eu nao me revejo, embora entenda o porque de algumas delas aparecerem De qualquer das formas eu defendo a Historia e Tradições do movimento Ultra e a esse nível há muitas falhas nos grupos de hoje em dia. Não vejo um legado das Velhas Guardas para os mais novos. Não vejo referencias a dar bons exemplos dentro dos Grupos. Acho que os Grupos perderam a sua capacidade interventiva a nível social. Acho até que os Grupos deixaram de ser Grupos e passaram a ser conjuntos de Grupinhos onde cada um faz o que lhe apetecer, sem um rumo pensado e definido, sem uma identidade realmente de Grupo enquanto Grupo único e indivisível.

Qual é para ti o melhor grupo na actualidade?
A minha família e amigos. Não vejo um grupo que me encha as medidas a todos os níveis que me convença que este é realmente o melhor grupo.

Este blog sempre foi apologista dos grupos dos escalões inferiores, qual é a tua opinião sobre eles? E qual achas que serão os melhores neste momento?
Não tenho grande informação para poder falar com segurança sobre isso, há ai alguns projectos de valor pessoal antigo que mantém nesses grupos pequenos o que de melhor falta nos grandes sem desprimor para outros, posso destacar Ultras Ermesinde e os Fama Boys. Muito possivelmente são os últimos bastiões do movimento Ultras. Quer seja pela repressão exercida sobre os principais Grupos dos principais clubes quer seja pela falta de capacidade dos Grupos reagirem contra essa repressão. Dentro de grupos mais pequenos e clubes mais pequenos, talvez consigas ainda viver o movimento no seu aspecto mais puro. Não sei bem como é ser de um grupo pequeno porque eu sempre fiz parte de um grande Grupo Ultra que apoia o melhor Clube do Mundo.

Por falar em repressão, o que achas da actual lei?
Ridícula, castradora, parcial, discriminatória. Podia ficar aqui horas a falar sobre isso. Basicamente aquilo que mais me parece indiscutível é a necessidade que as autoridades tiveram em arranjar bodes expiatórios para justificar o dinheiro gasto em pseudo seguranças nos estádios a partir do euro 2004. Se acabarem com as equipas especiais para acompanhar as claques, há muita gente que vai ter que voltar a fazer combate ao trafico de droga em bairros problemáticos e isso é deveras arriscado. Se acabarem com os acompanhamentos ao que se passa em blogs de net como o teu, há muita gente que vai ter que voltar a fazer serviço a porta do hipermercados e dos bancos. Se acabarem com o controlo as deslocações das claques há muito boa gente que vai deixar de conhecer a Europa com viagens pagas pelos nossos impostos.

O que pensas da politica nas curvas?
Não faz sentido em países como Portugal, só divide as pessoas.

Para finalizar deixa-nos um comentário final.
Respeitem a Historia e valorizem a Tradição.

domingo, 30 de novembro de 2008

Entrevista a Legiones Sur Mérida








Como surgiu a ideia de criarem um grupo de apoio ao Mérida?
O movimento Ultra organizado de apoio ao Mérida nasceu no ano de 1987 com o grupo "Takes Mérida", posteriormente formaram-se outros grupos Ultras, como "Scotthis Sur", "Piratas Romanos" e "Escuadra blanquinegra", que em Agosto de 1992 decidiram juntar-se na curva Sul do antigo estádio, com o nome de "Legiones Sur", que existe até aos dias de hoje. Esse foi o começo de tudo. Pode-se dizer que temos um cuidado especial com a tradição Ultra.

Como estão organizados?
Temos uma organização muito hierartica, aqui toda a gente pode ajudar, mas é verdade que dentro do grupo, 4 ou 5 pessoas tratam de tudo no geral, é uma espécie de direcção. Nos dias de hoje temos cerca de 50/60 ultras "certos", e para a divisão que frequentamos, pode-se dizer que estamos bem organizados, e em bom numero.

Quais são as vossas amizades e inimizades?
Neste momento as nossas únicas amizades são na verdade o orgullo isleno e os ultras de cacereno, são amizades que conservamos a mais de 10 anos, e mais recentemente com o grupo Manks e os Diabos Vermelhos, não sendo reconhecida oficialmente, mas existe uma grande amizade entre os vários membros, sempre que podemos estamos em Lisboa, ou em viagem, para onde o SLB se desloque, e de igual forma, eles também nos visitam. Estes 4 grupos, sabem que Mérida é a sua casa. Em relação ao inimigos, prefiro não falar.

Qual é a vossa relação com o clube?
Actualmente é boa, eles fazem o trabalho deles, e nós fazemos o nosso. Sempre que podemos ajudamos-nos mutuamente, não digo economicamente, pois sempre fomos um grupo autónomo em relação a isso.

Como é apoiar uma equipa da 2ª B?
É a fé e tradição que nos move. Ao inicio éramos muitos quando subimos, agora apenas vão ao estádio, cerca de 1500 pessoas, temos orgulho no nosso clube, e isso torna-nos mais fortes. É um prazer enorme pertencer a este grupo, apesar de estarmos nas categorias inferiores, seguimos lutando dia a dia pelo nosso clube.

Como defines um verdadeiro Ultra?
Acho que estaria aqui um dia inteiro para te definir isso, é muito complexo... Nós aqui somos Ultras a semana inteira, não apenas os 90 minutos, isso é importante para sermos um grande grupo. Tentamos fazer tudo que esteja ao nosso alcance para ajudar o clube do nosso coração.

Com que estilo se identificam?
Sempre pelo Italiano, estandartes, bandeiras, tifos. É verdade que ultimamente usamos mais bandeira do género Inglês, mas nunca deixaremos de usar a imagem de marca. Algumas pessoas do grupo optam por uma postura casual, mas é uma clara minoria.

Podes-me falar de projectos futuros?
Sim claro, trabalhamos continuamente em fazer crescer o grupo, sem perder a nossa filosofia, e que esta não seja trocada pelas modas. Estamos metidos num projecto bastante alucinante, que é um livro com a história do movimento Ultra em Mérida, (aparte) novas viagens, novo material, novos eventos...

Como vês a repressão policial em Espanha?
Aqui há uma grande perseguição aos Ultras, toda a sociedade está contra nós (Ultras), é difícil ser Ultra em Espanha, é tempo de mostrarmos as pessoas a nossa verdadeira face. Como Ultras temos que nos empenhar e pensar em algo para salvar o nosso movimento, ou acabarão connosco.

Como vês a politica dentro dos Estádios?
Em Espanha há muita politica no interior dos estádios, muitas pessoas pensam que é algo de positivo, mas nós somos claramente conta. Alguns anos atrás em Mérida houve a entrada de politica na curva, e isso só veio confirmar que separa as pessoas. Hoje em dia esforçamos-nos por unir pessoas de várias ideologias Aqui só interessa o amor ao club, somos apenas e só Ultras, essa é a nossa única politica. Mas a verdade é que há muita politica nas curvas, o que só faz com que se destruam.

Deixa-nos um comentário final.
Muito obrigado por dares a conhecer um pouco do nosso grupo, e muita saúde para os nossos amigos do orgullo isleno , ultras cacereno , grupo manks e os diabos. Continua o bom trabalho que tens feito até agora com este blog.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008








Entrevista a Daniel Rane Jupp, um dos fundadores do grupo Klanen.

Equipa: Valerenga.

Cidade: Oslo / Noruega.

como surgiu a ideia de criarem um grupo de apoio ao Valerenga IF?
alguns rapazes, em meados dos anos 80 estavam ligados a algumas equipas Inglesas, e viajavam regularmente para Inglaterra. Como a Noruega nunca teve grande experiência, a nossa missão era trazer para o nosso pais alguma sabedoria daquele país. Foi um início lento, com apenas alguns apoiantes pouco organizados. Com o passar do tempo, foi fundado o grupo apenas designado por "supporters valerenga". Foram apenas algumas centenas, e ficou por ali durante um longo tempo, mas mesmo assim, fomos de longe a melhor, e provavelmente, os únicos verdadeiros adeptos nesse tempo. Fomos uns dos que causamos mais impacto naquela altura na Noruega. Nos anos 90 a experiência já era muita, e ai o numero de pessoas aumentou bastante, até que foi formado o grupo klanen, que foi, e é muito respeitado na Noruega. klanen, o grupo que existe hoje, fundado em 5 de maio 1991.

Quais são as vossas influencias?
As nossas influências são quase exclusivamente Britânicas, embora usemos algumas tiffos do estilo Italiano. Usamos já várias vezes algumas tochas e fumos, (pouco habitual por cá), mas não regularmente pois são proibidas. Nunca tivemos nenhuma tradição do estilo ultra, alias, o ultimo membro da direcção era claramente contra a postura ultra. Nunca usamos um tambor ou um capo. Normalmente optamos por uma postura casual, alias temos um grupo dentro do Klanen que se auto denominam como: Isko Boys, isko é o nome dos cães que pertence à polícia, em que a principal tarefa é a de acompanhar e de "combater" os casuais na Noruega.


Amizades e rivais?
Os nossos rivais são o fc lyn oslo, sk brann, rosenborg bk e kongsvinger. Grande parte dos nossos membros são Antifa, inclusive temos algumas amizades com membros do St. Pauli, mas não passam de meros conhecimentos. Por norma não somos hostis, mas temos alguns inimigos. Temos uma canção que diz: "vamos odiar todos, porque todos nos odeiam".

Conheces alguns grupos portugueses? Que pensas sobre a cultura ultra em Portugal?
Para te ser franco, tenho muito poucos conhecimentos, conheço principalmente os Grupos do Benfica, Porto e Sporting, mas aqui são pouco divulgados.


Queres deixar alguma mensagem em especial aos leitores do Blog?
Sim claro, desde já quero agradecer a oportunidade que me deste de poder divulgar aqui o meu grupo, e de transmitir aqui um pouco do que se passa na Noruega. Desejo tudo de bom a todos os verdadeiros adeptos, independentemente do estilo que pratiquem, concentrem-se essencialmente no apoio a equipa, e digam sempre não ao futebol moderno. Sei que muitos grupos em Portugal passam tempos difíceis devido a repressão, a esses desejo em especial una boa luta contra aqueles que querem destruir os verdadeiros adeptos, e o verdadeiro futebol paixão.
Mais sobre o grupo: klanen.no/tifo/

sábado, 8 de novembro de 2008

Entrevista ao fundador do Comando Ultra Viseense




Como surgiu a ideia de criarem um grupo de apoio ao académico de Viseu?
A ideia de criarmos um grupo surgiu bastante tempo antes de o CUV aparecer. Até maio de 2005 o grupo de apoio ao Académico era a Brigada Negra, mas devido aos problemas do clube, que fez com que "ressuscitasse" com outro nome, a BN acabou. Outra das razões de ter acabado foi também o afastamento de muitos membros ora por irem estudar para fora, outros por simples desinteresse, entre outros motivos. Desde a extinção da BN que varias pessoas que tinham feito parte da mesma sonhavam com um novo grupo, vivemos o futebol duma forma particular, não nos sentimos bem sentados numa central e achamos obviamente que o clube precisa de apoio.Então o "bichinho" nunca morreu, e apesar de nessa altura não haver nenhum grupo academista, houve sempre gente a tentar fazer algo para que isso mudasse, o resulta está agora à vista. Ideias iam surgindo, iam aparecendo pessoas a juntarem-se a nós com a mesma vontade, e foram aparecendo as primeiras reuniões no verão de 2007.

Como esta organizado o CUV?
O CUV tem uma direcção formada por 5 elementos, que se ocupa de tudo o que tenha a ver com o grupo. Temos também vários nucleos que são muito importantes para a organização do grupo no que toca à divulgação de informação e angariação de membros.

Quais são os vossos pontos fortes e as vossas fraquezas?
Bem, na minha opinião os nossos pontos fortes são sem a mínima duvida a qualidade e design do nosso material, tanto o de bancada, como bandeiras/faixas/estandartes, como os cachecóis, fanzines, etc. Outros pontos fortes são também a união e camaradagem do grupo, sem duvida mais que uma simples claque é um grupo de amigos. Fragilidades na minha opinião são as fracas presenças fora, que geralmente não passam os 10/12 elementos a deslocarem-se, e o apoio vocal que tem sido nos últimos tempos bastante irregular, temos jogos em que temos um apoio vocal excelente enquanto em outros é mais fraco.

Quais são as vossas amizades e inimizades?
Amizades não temos com ninguém, rivalidades acho que apenas podemos dizer que temos com os clubes naturalmente rivais do Académico, não criámos nenhumas. O Académico é um clube demasiado grande para disputar uma terceira divisão então obviamente que temos de responder em todas as frentes, uns podem chamar rivalidades eu acho apenas que defendemos o bom nome do Académico.

Como é a relação entre o CUV e a direcção do clube?
Já viveu melhores dias, hoje em dia existe muito pouco dialogo tal como os apoios, que foram deixando de existir.

Sabemos que é particularmente difícil os grupos sobreviverem nos escalões inferiores, como fazem para dar a volta?
Sim, é complicado. A ajudar a isso, desde 2005 que houve um enorme afastamento entre as pessoas de Viseu e o Académico, é complicado haver jovens interessados no clube, ainda para mais num papel tão activo como fazer parte de um grupo ultra. A forma de dar-mos a volta a todos esses problemas, e outros, é simplesmente a nossa união.

Como defines um verdadeiro ultra?
Isso é muito difícil de definir e bastante subjectivo. Posso definir um ultra por um adepto que acompanha o clube para todo o lado, trabalha todos os dias em função do clube/grupo, tem um papel activo no futebol... A nível estético o uso de bandeiras, faixas, estandartes, tochas, fumos, tifos... Enfim, é assim o mais fácil de definir-mos um ultra. Mas será que é preciso ser um ultra para cumprir-mos todos esses requisitos!?Na minha opinião é muito mais que um rótulo, simplesmente sente-se.

Podes falar de projectos futuros do CUV?
Começo ja por referir um que estará pronto na proxima semana, o site oficial do grupo. Temos também bastantes projectos no que toca a material, e um tifo de aniversário. Durante esta época ainda vão haver bastantes surpresas.

Como vês a legalização das claques em Portugal? Já sofreram na pele algumas consequências?
A legalização eu vejo como uma simples palhaçada, simplesmente uma medida que serve para mandar areia para os olhos das pessoas. Sou "ilegal" por abanar uma bandeira, usar uma faixa, e cantar!? Preciso de me identificar como se de um criminoso me tratasse, apenas por viver o futebol de uma forma diferente e mais intensa? Já tivemos um episódio bastante cómico acerca disso, em que um Sôr agente da autoridade ameaçou que iam retirar todo o nosso material por não estarmos legalizados, se não tirássemos uma certa bandeira que estava colocada ao lado da nossa faixa. Honra aos grupos que não cederam e passaram/passam por maus bocados. Falo principalmente dos Diabos, No Name, Furia Azul e Mancha Negra. Gostava só de referir o exemplo da Torcida, depois de tantas frases e opiniões, de falarem tanto em "mentalitá", tiveram de ser os primeiros a legalizarem-se e consequentemente entalarem os outros grupos. Como já ouvi alguém dizer, a mentalidade não se apregoa, pratica-se!

A sondagem desta semana no blog é sobre qual o pais que aprecias mais o movimento. Podes nos dar a tua opinião, e já agora que vertente te identificas mais?
É muito complicado votar ou escolher o país onde mais aprecio o movimento. Gosto bastante do movimento italiano, tal como do francês, mas não dispenso as influências britânicas no que toca a cultura casual. Sou também admirador dos croatas. A vertente que mais gosto é sem duvida a vertente mais recente que vai aparecendo por italia, grupos pequenos que se situam junto a outros grupos, e optam por uma estética inspirada na britânica mas sem deixarem de todo uma postura ultra.

Queres deixar alguns comentários finais?
Queria apenas saudar todos os grupos que não se rendem à legalização, e todos os grupos de divisões inferiores. O movimento em Portugal no meu ponto de vista está bastante morto, podemos-nos desculpar com preços de bilhetes, horários de jogos, repressão policial, e tudo mais, mas novos projectos e activismo apenas depende da nossa vontade.Era muito bom que existisse mais gente que perdesse tempo com blogs, fanzines, revistas, etc.
P.S Desde já queria agradecer o entrevistado pelo tempo disponibilizado, e de saudar este e como tantos outros grupos, a força, a dedicação, e sobretudo a mentalidade que tem tido para levar um projecto avante, que é apoiar uma equipa de escalões inferiores. Mais uma vez muito obrigado, e que tenham uma boa continuação. Mais sobre o Comando Ultra Viseense: Blog e fórum.